Acho que a
única coisa que há a fazer é ralhar comigo mesma pelo quão fui ingénua.
Deixo-me levar pelas palavras que desejo ouvir, mesmo quando todas as tuas atitudes
indicam as mentiras escondidas por trás da tua voz. Acredito em ti mesmo quando
toda a gente me avisa que não o devo fazer. Ignoro boatos, ignoro verdades, só
te ouço a ti. Enches os meus ouvidos com a melodia da tua voz e é tudo o que
quero ouvir! E isso, oh, isso é um problema tão grande. É exactamente por essa
minha insistência em ser tão tua que me encontro nesta situação. Sinceramente,
eu tentei com todas as minhas forças, lutei o máximo que pude contra isto. Mas
o que posso fazer agora que estou completamente apaixonada? Caí em ti como se
fosses um poço sem escada, afundei-me na maravilha do teu sorriso, no toque dos
teus dedos. Apaixonei-me por todos aqueles nossos pequenos momentos roubados
nas festas, pelas raras vezes em que foste meu. Mesmo contra todas as
impossibilidades quis acreditar que ia resultar. Era eu contra o que sentias
pelo teu passado, contra a distância, contra todas as raparigas que se metiam
contigo. Quis-me crer capaz de ganhar. Achei-me REALMENTE capaz de vencer tão
estúpida batalha. E no que me meti eu agora? Num amor não correspondido, um
amor que me tira a vontade de dormir, que me faz desesperar por pedaços por ti.
Como é que posso aceitar que tu simplesmente não tenhas vontade de falar
comigo? Que queiras espaço de mim? Tenho tanto medo do que está a acontecer na
tua vida enquanto te dou o que pediste. Estou apavorada com a possibilidade de
estares a aproximar-te de outra rapariga ou, talvez, das mesmas com quem juraste
já não falar. Toda a nossa história foi resumida a nada. Eu não sou nada e,
durante todo este tempo, achei que ia resultar verdadeiramente. Estupidamente,
quis-me acreditar diferente. Tinha tantas esperanças em nós.
Os dias passaram, com eles semanas, e depois meses. Já tudo parecia distante, difícil de voltar a alcançar, mas mesmo assim ela recusava-se a desistir. Se desistisse poderia nunca voltar a tê-lo, poderia nunca voltar a ouvir a sua voz e a ver o seu sorriso. Quando passava por ele na rua, ele fingia não a ver, era como se fosse invisível, um pedaço de nada. A pequena sorriu-lhe, ele olhou para ela com indiferença e seguiu o seu caminho. Magoada, procurou todas as suas forças para se manter de pé, com a cabeça erguida e um sorriso na cara, enquanto acenava à sua melhor amiga que lhe contava alguma coisa que esta fingia estar a ouvir. Mas era de noite que a menina se afundava na sua cama, tapava a cara com a almofada e chorava. Chorava até se sentir melhor, até se libertar daquela dor. Depois disso, levantava-se e dirigia-se até ao armário do seu quarto. Na última gaveta, bem lá no fundo, submerso por montes de roupa, encontrava-se um caderno. Um caderno que abarrotava de folhas q...

Doi muito quando queremos tanto alguém e não podemos concretizar esse desejo. Nesses momentos só queremos que o passado tivesse durado mais um instante porque julgamos que o saberíamos aproveitar como nunca... A maior força, doi muito, mas tu vais conseguir ultrapassar.
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