10.10.16

Abraço silencioso.


Existe tanto por dizer e eu simplesmente não sei por onde devo começar. As palavras morrem na minha garganta sem que as possa dirigir a ti. Os meus gritos mudos morrem cercados por estas quatro paredes cinzentas. O meu coração sofre por não te poder amar livremente. O meu corpo definha por não sentir o calor do teu. A minha face deseja poder encostar-se ao teu peito, num abraço sem palavras onde os sentimentos falassem por nós, onde a saudade fosse mais forte que todas as acções que nos separaram. Os teus braços fortes iam apertar-me contra ti, prometendo silenciosamente agarrar-me para sempre. Ias sorrir-me e eu saberia que haveríamos de arranjar uma solução. Porque se tu acreditasses, eu acreditava. Porque se tu quisesses, eu não pensava duas vezes. Porque se me sorrisses, eu ia voltar ao nosso primeiro encontro e o meu estômago ia encher-se das mais rebeldes borboletas. Iríamos estar outra vez no São Pedro abraçados desajeitadamente, sonhando com o primeiro beijo. Irias mexer-me no cabelo e beijar-me carinhosamente a testa. Ainda não haveriam problemas entre nós e eu saberia que o futuro era certamente contigo. Íamos amar-nos em segredo, com aquele medo miúdo que não fosse retribuído. Ias olhar para mim e iria parecer a mais bela da festa, aquela única rapariga que tu querias. E eu ainda não teria ferido o teu coração de maneira a que o teu lugar não fosse mais ao meu lado. Não seríamos ainda dois amantes separados porque não nos soubemos ter. Neste momento poderia estar a dividir os meus lençóis contigo, aquecida pelo calor do teu corpo junto ao meu. Poderia passar as minhas mãos pelos teus contornos já conhecidos e saberia que és meu. Poderia beijar o topo da tua cabeça e prometer cuidar de ti, sentir o cheiro doce do teu perfume misturado com o trago do cigarro que fumas sempre antes de dormir. Pior que sofrer, é saber que também sofres por mim. Não devias. É que sabes, sempre adorei ver-te sorrir. Sempre amei essa tua personalidade engraçada. Mesmo quando não queria amar-te, quando lutava com tudo o que tinha contra isso, já te amava. Espero que não tenhas chorado por mim, não outra vez. Espero que não estejas preocupado comigo. Sinceramente, magoei-te demais para que devas sequer pensar em mim. Mas não foi por mal, sou demasiado inconsequente, imprudente e precipitada. Se eu não tivesse seguido humanidades talvez pudesse ser cientista. Talvez fosse genial o suficiente para voltar atrás no tempo, falar contigo ao invés de dançar com outro rapaz para me vingar. Talvez pudesse voltar ao primeiro dia sabendo de antemão onde íamos errar e evitando este desfecho. Dessa maneira, não estaria às duas e meia da manhã a escrever sobre ti. Estaria a dormir com um sorriso na cara por saber que me pertencias. Não teria medo de adormecer e sonhar contigo porque ainda serias meu ao amanhecer. Mas enfim, sempre me disseste que não sou realista. Eu acredito em milagres, eu acredito no amor. Acredito que possa vencer tudo. Sempre me disseste que devia andar com os pés na terra mas sem ti não tenho chão. Sou apenas um relógio avariado, parado no tempo. E se um mais um é igual a dois, porque é que não consigo somar contigo? E se o amor é de verdade, porque é que não conseguimos ultrapassar todos os obstáculos? E se eu amo ver-te sorrir, porque é que não fui capaz de te fazer feliz? Custa-me saber que me despedi de ti sem saber que era a última vez. Que não era um "até já". Devia ter olhado para ti e decorado todos os contornos da tua face. Devia ter prolongado o beijo, o nosso último beijo. Agora estás a quilómetros, possivelmente a fazer os possíveis e impossíveis para me tirar da tua vida. Provavelmente antes de adormeceres pensaste em mim e rapidamente te obrigaste a esquecer esse pensamento. Não deve faltar muito para ser a única a sentir saudades. Não deve faltar muito para ser a única a amar. E sinceramente, nem quero saber. Se não te tenho a ti, então também não desejo mais ninguém.

~ 4 ♥: ~

Sofia Barbosa says:
at: 11/10/16, 22:48 disse...

Quando o amor é verdadeiro, difícil de ser superado!

Sarafaela says:
at: 13/10/16, 15:01 disse...

Oh querida, eu e tu parece que andamos numa maré de azar no que diz respeito a relações amorosas, mas mesmo assim temos que pensar positivo: tudo se vai resolver, acredita ;)

cgomes says:
at: 14/10/16, 10:35 disse...

Adorei, adorei, adorei.
Por muito que te custe, segue em frente. Tens pessoas maravilhosas neste mundo para amares e para te amarem.
Um beijinho e força.

Clara Isabel says:
at: 23/11/16, 21:12 disse...

Olá Ana! Adorei o texto e identifico-me com quase cada palavra. Gosto de acreditar que se tiver que ser, um dia vai acontecer...por vezes é difícil acreditar nisso e na maior parte das vezes, mais doloroso manter essa esperança mas espero que as coisas retomem o seu rumo até à felicidade.

Beijinhos! Se tiveres tempo dá um vista de olhos no meu blog também: http://clarapichel.blogspot.co.uk/

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