27.12.16

Desistir.


Sinto-me ridícula. Pensei que tudo fosse uma questão de amor. Pensei que fosse uma questão de saudades. Mas há medida que o tempo passa apercebo-me que foi uma questão de facilidade. Que te bastou estalar os dedos para eu estar ali para ti. Que bastou uma palavra tua para teres tudo o que quisesses de mim. Sou tão parva, credo! Achei realmente que tinha significado alguma coisa para ti. Que eu tinha importância, que não querias que eu continuasse fora da tua vida. Vejo agora que eu não podia ser mais indiferente para ti. Inventei desculpas para a tua distância, para as conversas que acabavam sem resposta. Achei que precisavas de tempo, de espaço. Mas como é que não vi que tu só não precisas é de mim? E o problema é que, de alguma forma, quis acreditar que te tinha realmente tocado. Que o nosso amor tinha sido verdadeiro, embora complicado. Quis acreditar que o teu coração se sentia apertado quando ouves o meu nome. Que nas noites sem dormir roubo os teus pensamentos. Quis, como tudo, não ser mais uma namorada. Queria ser aquela que te fez sentir mais que todas as outras. Aquela que te faria engolir esse orgulho gigante que tu tens. E, por fim, apercebo-me que não sou. Que não vais voltar para mim porque, no fundo, não morreste de saudades. Eu não sou nada e tenho de parar de tentar ser. Tenho de parar de lutar por isto sozinha, porque foda-se, é o que eu continuo a fazer. Sempre a correr atrás de ti e a levar para trás. Sempre com conversas que acabam com um visto ou que não recebem qualquer resposta sequer. E, mesmo assim, ainda quero ter esperanças! Ainda te quero aqui! Que idiota. Há duas semanas atrás, toda feliz, a sorrir pelos cantos com a certeza absoluta que as coisas iam funcionar, com toda a certeza do planeta que as tuas atitudes significavam que ainda havia amor. E agora, onde estás tu? Onde estão as minhas certezas? Não sobrou nada. Neste momento, só tenho a certeza que não significo nada. E, sinceramente, estou a desistir. Foi uma estupidez pensar que querias o mesmo que eu. Talvez nem fosse tua intenção magoar-me. Talvez realmente tivesses saudades, talvez achasses que ainda sentias alguma coisa, talvez tenha sido o álcool. Seja o que for, certamente te apercebeste que queres continuar a tua vida sem mim. E, por muito que me custe, eu tenho de parar com isto. Só estou a causar dor a mim mesma. Tenho de te tirar da cabeça e do coração. Desisto de nós. 

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