Tenho vergonha em admitir que ver-te abalou todas as minhas certezas. Nunca diria a ninguém que verifiquei o telemóvel a noite inteira na esperança de que te sentisses um pouco perdido como eu. Tentei esconder o facto de não conseguir tirar os olhos de ti. Esforcei-me por chamar a razão, por me relembrar o quanto me magoei contigo... Mas a razão nunca me deu ouvidos no que toca a ti. Irónico é que precisei de vÔrios meses para te expulsar do meu pensamento mas bastou uma noite para ocupares a minha cabeça de madrugada. E como nunca o diria a ninguém, escrevo-o aqui, onde o meu segredo ficarÔ a salvo.
Os dias passaram, com eles semanas, e depois meses. JĆ” tudo parecia distante, difĆcil de voltar a alcanƧar, mas mesmo assim ela recusava-se a desistir. Se desistisse poderia nunca voltar a tĆŖ-lo, poderia nunca voltar a ouvir a sua voz e a ver o seu sorriso. Quando passava por ele na rua, ele fingia nĆ£o a ver, era como se fosse invisĆvel, um pedaƧo de nada. A pequena sorriu-lhe, ele olhou para ela com indiferenƧa e seguiu o seu caminho. Magoada, procurou todas as suas forƧas para se manter de pĆ©, com a cabeƧa erguida e um sorriso na cara, enquanto acenava Ć sua melhor amiga que lhe contava alguma coisa que esta fingia estar a ouvir. Mas era de noite que a menina se afundava na sua cama, tapava a cara com a almofada e chorava. Chorava atĆ© se sentir melhor, atĆ© se libertar daquela dor. Depois disso, levantava-se e dirigia-se atĆ© ao armĆ”rio do seu quarto. Na Ćŗltima gaveta, bem lĆ” no fundo, submerso por montes de roupa, encontrava-se um caderno. Um caderno que abarrotava de folhas q...
ComentƔrios
Enviar um comentƔrio
comenta (: