Sentia-me tão orgulhosa de mim mesma. Tão especial. Sentia que tínhamos tudo aquilo que desejei para nós há cinco anos atrás. Quis crer que te tinha mudado, que estavas para ficar. Mas como posso acreditar que te ensinei a não ter medo de uma relação, se constantemente tentas fugir? No fundo, não te ensinei nada. Queria tanto acreditar que eu era a tal, mas, talvez, seja apenas rídicula. Talvez, seja apenas aquela que continua a rastejar e a suplicar para tu ficares sempre que tentas partir.
Os dias passaram, com eles semanas, e depois meses. Já tudo parecia distante, difícil de voltar a alcançar, mas mesmo assim ela recusava-se a desistir. Se desistisse poderia nunca voltar a tê-lo, poderia nunca voltar a ouvir a sua voz e a ver o seu sorriso. Quando passava por ele na rua, ele fingia não a ver, era como se fosse invisível, um pedaço de nada. A pequena sorriu-lhe, ele olhou para ela com indiferença e seguiu o seu caminho. Magoada, procurou todas as suas forças para se manter de pé, com a cabeça erguida e um sorriso na cara, enquanto acenava à sua melhor amiga que lhe contava alguma coisa que esta fingia estar a ouvir. Mas era de noite que a menina se afundava na sua cama, tapava a cara com a almofada e chorava. Chorava até se sentir melhor, até se libertar daquela dor. Depois disso, levantava-se e dirigia-se até ao armário do seu quarto. Na última gaveta, bem lá no fundo, submerso por montes de roupa, encontrava-se um caderno. Um caderno que abarrotava de folhas q...
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